MARISQUEIRA É PESCADORA: MULHERES NEGRAS DO QUILOMBO DE SÃO BRAZ – SANTO AMARO, BAHIA

  • Roseni Santana Calazans

Resumo

Este artigo aborda as representações e hierarquias de gênero transmitidas, reforçadas e desafiadas nas atividades de pesca e mariscagem entre os moradores de São Braz, localidade de Santo Amaro, cidade do Recôncavo da Bahia. Trata-se de uma população que luta pela titulação como território quilombola, tendo sido certificada pela Fundação Palmares em 2009. Por meio do método etnográfico, foi constatado que, na formação das identidades laborais, trabalhos leves e que requerem paciência são considerados eminentemente femininos, como a mariscagem, enquanto os pesados são eminentemente masculinos, como a pesca. O manguezal, a lama, é atribuída à mulher, enquanto ao homem é atribuída a água corrente. Tais representações alimentam expectativas sobre o desempenho laboral de homens e mulheres, reforçando hierarquias e subalternizando o trabalho feminino, mas também são desafiadas pelas mulheres pescadoras.

Publicado
Nov 3, 2017
Como Citar
CALAZANS, Roseni Santana. MARISQUEIRA É PESCADORA: MULHERES NEGRAS DO QUILOMBO DE SÃO BRAZ – SANTO AMARO, BAHIA. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), [S.l.], v. 9, n. 23, p. 82-108, nov. 2017. ISSN 2177-2770. Disponível em: <http://www.abpnrevista.org.br/revista/index.php/revistaabpn1/article/view/508>. Acesso em: 13 dez. 2017.